Por que um prêmio da Questão de Crítica?

16 de maio de 2016 admin Prêmio Tags: 0 Comentários

header_3-01

 Antes de mais nada, um prêmio é uma festa. E nós não deveríamos nos perguntar o porquê das festas.

Esse texto poderia terminar aqui. Mas precisamos ainda falar sobre o prêmio, sobre a crítica e sobre as festas. E, tendo em vista as condições em que trabalhamos, a cada fim de ciclo nos cabe perguntar por que continuar e como continuar, além de olhar em volta para ver quem está ali do nosso lado nas trincheiras.

Em março de 2016, completamos 8 anos. Muitas pessoas fizeram parte dessa história e outras tantas ainda virão. Os últimos anos nos trouxeram a alegria de fazermos parte de um grupo maior, que tem sido uma segunda casa. Junto com o Horizonte da Cena, de Belo Horizonte, e o Satisfeita, Yolanda?, do Recife, formamos a DocumentaCena – Plataforma de Crítica, um lugar de intercâmbio intelectual e de afetos. Temos conversado muito sobre o nosso papel na internacionalização do teatro brasileiro e sobre a necessidade de conhecer o teatro feito no Brasil que não chega aos grandes centros urbanos onde vivemos. O movimento é, portanto, de expansão – para dentro e para fora. O Brasil é grande, o nosso teatro também.

Com isso em mente, no ano passado nos reunimos com críticos de várias cidades do país para formar a seção brasileira da Associação Internacional de Críticos de Teatro, ligada à UNESCO. Entendemos que a lógica da nossa geração (de entusiasmo, não necessariamente de idade) é o trabalho em rede, não-competitivo, colaborativo. Mesmo com as diferenças. É importante estarmos juntos. Nós, críticos, e nós, artistas. E nós, críticos e artistas. A crítica não é do jornalismo, nem da academia. A crítica é do teatro. Estamos do mesmo lado. Mesmo com as diferenças.

Não acreditamos no pressuposto da distância como regra da ética, como se a proximidade e o afeto pudessem corromper a seriedade e o rigor. Ao contrário: a proximidade e o afeto são constitutivos da nossa noção de ética, é isso o que viabiliza o rigor. Além disso, precisamos sempre relembrar o obvio: a seriedade não pode ser desprovida de alegria. Por isso, festejamos. Celebramos o valor das obras com rigor nas críticas e com cachaça nas festas. O Prêmio Questão de Crítica e o Prêmio Yan Michalski formam a ponte que uma vez por ano se eleva para tornar visível o que no dia a dia queremos praticar.

O exercício constante da crítica de teatro não pode ser feito do alto de uma torre de marfim – esse lugar velho e aristocrata. Talvez exista lá um amplo museu da crítica de arte e uma imponente biblioteca da crítica literária. Mas a crítica de teatro se faz no rés do chão, na rua, na lama. Ou sujamos as mãos e andamos descalços ou não teremos a menor ideia do que faz o teatro. E vamos fazendo teatro e crítica, numa relação antropofágica e promíscua entre os artistas e os críticos que moram dentro da gente.

Vivemos hoje um momento difícil, cheio de ódio e preconceitos, nada afeito à escuta. Diante dessa infeliz situação, vivemos a alegria de ver o teatro carioca se unindo e agregando outros segmentos na luta pela democracia. E com isso podemos pensar que o teatro em si, nosso amplo direito de fazer teatro e o direito dos cidadãos de frequentar o teatro já deveriam ser motivos suficientes para outras e mais constantes mobilizações.

A militância da crítica é afim com a militância do teatro pelo direito ao debate público sobre as coisas do mundo. Estamos juntos então. E isso já é motivo suficiente para dar uma festa.

Com amor,

Equipe Questão de Crítica

Could not resolve host: urls.api.twitter.com; Name or service not known